Os filhos da mãe, as viagens, os amigos: o amor no plural

OS FILHOS DA MÃE - CAPAEm maio do ano passado publiquei meu último livro, Os Filhos da Mãe (Ed. Leya/Casa da Palavra). É um livro escrito em primeira pessoa sobre a maternidade propondo reflexões do tipo “ser ou não ser” e, principalmente, como ser mãe – e, claro, pai também já que o homem tem sido cada vez mais solicitado a assumir a paternidade, quando não é ele mesmo que faz questão de desfrutar de uma intimidade com os filhos, entrando em um terreno considerado exclusivamente feminino.

Com as histórias da maternidade, da criança e da mulher é possível descobrir de onde e desde quando vem a maneira como nos relacionamos com nossos filhos e o modo como vemos a mãe. Ideias que alguns acreditam muito avançadas e que acabam por se revelar prolongamentos de uma ideologia que há 3 séculos luta para se consolidar. E, como outrora, as regras que elas impõem continuam a ser aceitas, recusadas ou adaptadas por cada um conforme a classe social a que pertence, o país e a região em que vivem e as opções que cada um faz para sua vida – com ou sem culpa.

Sendo muito mais permeáveis ao modo norte-americano de pensar e de vier, nós sequer percebemos a origem datada e politica e geograficamente situada, de pensamentos e costumes que nos parecem universais. Ou confiamos tanto em noções mil vezes repetidas, como “a globalização”, que a ela alienamos nossa capacidade de pensar com nossas próprias cabeças – e botamos os pés pelas mãos.

Lançamentos dos Filhos da Mãe na Livraria Argumento,  Rio de Janeiro
Lançamentos do livro “Os Filhos da Mãe” na Livraria Argumento, Rio de Janeiro.

Enfim e já que somos todos filhos da mãe, o livro é voltado para todos. Embora, indubitavelmente, seja artigo de primeira necessidade para mães e candidatas. E para mães de mães, já que filhos crescem e novamente nos vemos (ou nos veremos) confrontados com outras tantas escolhas.

Ao longo de todo o livro vou “conversando” com músicas, poesias, filmes, obras da cultura enfim, que nos ajudam a entender melhor quem somos. Embora um desses filmes, queridinho de muitos, ocupe um espaço privilegiado na minha exposição, muitos outros são por mim lembrados e comentados. Continuar lendo Os filhos da mãe, as viagens, os amigos: o amor no plural

“Não estou preparada hoje, e nunca estarei”

18:53 agora vc não vai mais sumir, vai ?

18:55 a menos que me escondam, não kkkkk. Vou estar sempre pertinho M… qdo precisar, grita, qdo quiser, chama.

19:03 acho bom, “ainda não estou preparada para te perder/ não estou preparada para que me deixes só (…) Ainda não estou preparada para não te ter e apenas te recordar / Ainda não estou preparada para não poder te ouvir ou não poder te falar / Não estou preparada para que não me abraces / e para não poder te abraçar / Ainda te necessito / E ainda não estou preparada para caminhar pelo mundo perguntando-me: Por quê? / Não estou preparada hoje nem nunca o estarei / Te necessito”. Eu também (clique para assistir: https://www.youtube.com/watch?v=mMaEwuneu70).

19:34 Ainda não estou preparada para te perder hoje, meu amor, e nunca o estarei.
Myrna tem razão: “Ora, a vida ensina, justamente, que duas criaturas que se amam sofrem, fatalmente. Não por culpa de um ou de outro; mas em consequência do próprio sentimento. É exato que os amores têm seus êxtases deslumbrantes, momentos perfeitos, musicais etc. etc. Mas eu disse ‘momentos’ e não as 24 horas de cada dia. Quando uma mulher apaixonada se queixa, eu tenho vontade de fazer-lhe esta pergunta: ‘Não lhe basta amar? Você quer, ainda por cima, ser feliz?’”
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“Cada dia pienso en ti”

Em 12 de agosto de 2012:

19:13: vamos namorar? Que tal? Se esperarmos mto mais tempo iremos parecer os personagens do amor no tempo do cólera kkk… viveremos num barco, rio abaixo, rio acima (clique aqui para assistir).

19:15: adorei esse livro. Não sabia desse filme dirigido por Mike Newell. O produtor Scott Steindorff levou 3 anos tentando convencer Garcia Márquez a liberar os direitos do filme e sabe o que ele dizia? Que ele era o próprio Florentino e que nunca desistiria. Com a determinação de uma pedra, como Florentino, ele acabou conseguindo e foi o próprio Garcia Márquez quem convidou a Shakira prá fazer a trilha sonora. Nessa amostra que te mandei dá prá ver a Fernanda Montenegro no papel da Trânsito Ariza, mãe do Florentino que, como você sabe, amou Fermina por toda a vida e, como você, saiu pelo mundo inscrevendo o nome deles nos bancos das praças e em tantos lugares pelos quais andou. Continuar lendo “Cada dia pienso en ti”

O amor é um sonho e o casamento o despertador

[25/05/2013 11:31:15] M: M(P), você é padre? Monge? Não me contou por que? Voto de silêncio, é isso. Tudo bem, eu não vou falar da minha raiva.

[25/05/2013 11:32:09] M: Você não precisa falar, marca X na alternativa correta, essa aqui ó: eu amo essa louca furiosa. Vai, fala aí. Diz que me ama, que tá com saudade do seu carrapato, que eu sou louca e me manda parar de delirar. Vai, tô esperando aqui.

[25/05/2013 11:33:19] M: o Neruda te ajuda: Te amo / Te amo de uma maneira inexplicável / de uma forma inconfessável / de um modo contraditório / Te amo com meus estados de ânimo que são muitos / E mudam de humor continuamente…(…) Com a ambivalência de minha alma / com a incoerência dos meus atos, / com a fatalidade do destino,/ com a conspiração do desejo /com a ambiguidade dos fatos./ Ainda quando te digo que não te amo, te amo; / até quando te engano, não te engano; / no fundo, levo a cabo um plano / para amar-te melhor./ Te amo sem refletir, inconscientemente, / irresponsavelmente, involuntariamente,/ por instinto, por impulso, irracionalmente. / De fato, não tenho argumentos lógicos / nem sequer improvisados / para fundamentar este amor que sinto por ti, / que surgiu misteriosamente do nada, / que não resolveu magicamente nada / e que milagrosamente, pouco a pouco, com pouco e nada, / melhorou o pior de mim…

[25/05/2013 11:49:59 AM] M: E a Alice disse pro gato: “Mas eu não quero me encontrar com gente louca”. “Você não pode evitar isso”, replicou o gato. “Todos nós aqui somos loucos. Eu sou louco, você é louca”. “Como você sabe que eu sou louca?”, perguntou Alice. “Só pode ser. Se não, não teria vindo prá cá”, disse o gato. Continuar lendo O amor é um sonho e o casamento o despertador

Uma noite que durou 45 anos

[24/05/2013 17:52:55] M: Que horas são aí prá você, noite ou dia? Você foi pro Japão? Já seiii: tá na Sibéria e congelou. Né? Agora você é o Iceman. Congelou de medo? É meu bem, paixão dá medo. Pior: enlouquece, pira. “Por que você terminou nosso namoro? Nunca entendi”, você me perguntou quando consegui te achar. Medo, respondi: aquele menino louro, lindo, com uma voz encantadora, um sorriso iluminado, despencou como um sol na minha frente, me cegando e me queimando. Me apavorei, percebendo que perdia o controle sobre mim.

[24/05/2013 18:11:33]M: O filme era “As Sandálias do Pescador” com o Anthony Quinn, você me disse, contando a história. Eu: “filme, tinha filme?”, enquanto você ia lembrando dos detalhes do nosso primeiro encontro: “Quando o filme acabou alguém nos apresentou… Eu não sei como consegui falar alguma coisa na hora, se é que falei. Mas naquele momento soube que te amaria, e que a amaria a minha vida inteira. Foi uma coisa boa, M. Perdi as contas das vezes que me lembrei e revivi cada momento que a gente esteve junto, dos carinhos e emoções que eu experimentei pela primeira vez, por mais adolescente que tenha sido, por mais curto o tempo que tenha durado. Nunca mais outra mulher causou tamanho impacto em minha vida e, certamente, nenhuma me foi mais fiel; nunca mais você me deixou. Acho que vivi uma vida razoavelmente feliz e sempre agradeci a você ter feito parte dela. Nem sei se nos procuramos ao mesmo tempo, mas que alegria te encontrar e poder, finalmente te dizer estas coisas. Você foi a paixão, o grande amor da minha vida!!!”. Continuar lendo Uma noite que durou 45 anos

Os cadeados do amor

[21/05/2013 09:24:37] M: Caramba como você é turrão! São 9 horas da manhã do dia 21 de maio de 2013 e até agora nada, nem um sinal de vida! Não quer mais falar comigo? Já me bloqueou e me mandou para aquele lugar onde os fantasmas habitam, assombrando os vivos, falando sem serem ouvidos? E você não me dá nem a mesa com o copo prá eu me comunicar com você.

[21/05/2013 09:25:49] M: você fazia essa experiência quando era criança? Quando vovô morreu, duas tias puseram prá correr as crianças da sala porque elas iam conversar com o vovô – ou a gente que pensou isso, sei lá. Sabe como são as crianças né? O caso é que nosso quarto ficava bem em frente da sala da casa do meu tio, e lá de casa nós víamos tudo.

[21/05/2013 10:27:33] M: Sabe aquele negócio do copo andar sobre a mesa e o espírito de porco, digo, no copo, vai de um em um? Então, pelo menos as minhas tias falavam com os espíritos na mesa através do copo. Quer falar assim comigo? Quer? Um novo meio de comunicação entre nós?

[21/05/2013 19:34:30] M: Ou é vingança ancestral??! “Vingança é um prato que se come frio” – é isso?  Continuar lendo Os cadeados do amor

Que seja infinito enquanto dure

Como eu disse em “Sobre mim”, criei esse blog para trocar ideias sobre como andam os relacionamentos amorosos hoje em dia. Começo agora uma sequência de posts sobre minhas pesquisas sobre o amor. Diferente de um post comum, estes não terão propriamente um fim. São to be continued. Para que possam ser transformados em um livro, conforme meu desejo expresso quando criei esse blog.

[21/04/2013 03:43:35] M: Cadê você? Não vai mais falar comigo? O Almodóvar mandou você falar comigo – ele disse bem alto, prá todo mundo ouvir: Hable com ella (Fale com ela). Continuar lendo Que seja infinito enquanto dure